domingo, 13 de abril de 2008

Disso

O que acontece é que o tempo passa...E eu aprendi que ficar presa a um passado não me deixa viver o futuro.Sim, lá vou eu falar de pessoas.
Quando botei o nome desse blog de "a vida é feita disso", não quis apenas fazer referência a uma das frases que mais digo quando a vida está uma merda, mas, sim, porque tem coisas que fazem parte da nossa vida.Tem pessoas que fazem parte da nossa vida; seja por um momento, seja para sempre, seja por uma lembrança, seja em corpo presente.
Hoje fiz um ano de namoro com o Michel.Foi lindo, porque quando a gente é apaixonado, as coisas ficam mais bonitas.Foi mais bonito ainda porque, pela primeira vez, eu chego num relacionamento, 366 dias depois, no mesmo clima do início: muito amor, alegria, carinho e respeito.Nós surpreendemos um ao outro o tempo todo, com palavras e gestos.Isso eu sinto que me faz muito bem, porque se eu me prendesse ao passado, não estaria hoje namorando e sendo muito feliz.
Minha cabeça e meus interesses mudaram muito, não significando que eu não gosto de nada que passei até meus 17 anos.Gosto de tudo e gosto das pessoas dessa época...Mas acabou.Não faz mais sentido determinadas coisas e determinadas convivências.Não cumprimento estas pessoas tão efusivamente como eu faço com os que tenho ainda um vínculo.Não é sinal de que não gosto de X pessoa, mas, sim, de que esse vínculo acabou.Mais uma pessoa no mundo, o que não significa que eu tenha deixado de gostar e tals.
Muitas pessoas eu tive que esquecer e cortar o vínculo.Tive grandes amigos, ainda saudosos, alguns deles, mas que esse vínculo não existe mais.Isso é uma coisa que me deixa até um pouco triste, mas eu, infelizmente, nao posso fazer nada.Interesses mudam, e só nos dias atuais pude entender a carta que a Diana me enviou em 2002, quando cortamos nossa amizade para sempre.Nosso caminhos não se cruzam mais.Foi isso que aconteceu com muita gente.
Peço desculpas por quem me entendeu mal, mas a Patinha de hoje não tem nenhuma semelhança com a Patinha de 6 anos atrás.Espero que me entenda.
P.S.:Um beijo aos que partiram.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Da caixinha

Arrumar o quarto é tão nostálgico...
Já devo ter falado isso umas dez vezes, mas é justamente porque eu concordo com essa afirmativa.Na verdade, todos os papéis que ocupam o tampo do meu baú da cama e minha bancada escondem segredos ocultos e, às vezes, assustador - não é nada legal achar as folhas do trabalho de literatura que era pra ser entregue ano passado e isso é assustador!O importante é que eu consegui colocar todos os papéis nos seus devidos lugares e todos os livros não lidos em cima do tampo do baú da minha cama.
Uma pilha com 5 livros não lidos (Grande Sertão: Veredas, As Intermitências da Morte, Desonrada, Caçador de Pipas e Sexo na Cabeça - tinha que ter sacanagem no meio =P), dois livros que sempre esqueço de devolver aos seus donos (TaeKwonDo, que o Michel me emprestou, mas na verdade é do Rogério, mestre dele e Metamorfose, que a Bianca Regina me emprestou), um livro do meu irmão (Almanaque dos anos 80), minha lata de bijuterias e uma caixa lilás.Aquela caixa lilás estava tão empoeirada que quando abri, senti a poeira entrando nas minhas narinas.Duas alianças, um cordão, um broche.
Fiz as contas: são 6 anos que tudo começou, 4 anos e meio que tudo acabou.Olhei pra dentro de mim e lembrei de todos os sonhos e todas as tormentas que passei nesse meio tempo.Doeu bastante lembrar disso tudo, mas acontece de a gente lembrar dessas coisas um dia.Parecia que eu podia navegar dentro dos meus próprios pensamentos; todas aquelas cenas que passei e repassei mentalmente, todas as descobertas e dores e amores.Tudo tão intenso, tudo tão drástico, tudo tão forte.Tudo que me fez ser o que eu sou hoje, percebi que não há mais motivos...
...Percebi, ao olhar para aquelas alianças (uma de hematita, outra de ferro, enferrujada e velha) que elas não combinariam mesmo com as minhas mãos.Percebi finalmente que tinha que ter acabado para aprender a ser.Uma longa jornada de refazer a Pat, para ser ela quem hoje ela é.Foi bom para mim, não sei se para ele também foi, mas pude agora olhar mais para mim e para o quanto eu posso me valorizar.
E ao fechar os olhos, com as alianças na mão, lembrei de alguém que me faz feliz hoje.Alguém tão igual e tão diferente dele.Alguém tão próximo e tão distante dele.Alguém que me ama tão semelhantemente diferente do jeito que ele me amou.Alguém que eu amo tão diferentemente semelhante ao jeito que eu o amei.Não há mais nada a restar dessa história, apenas um breve passado ainda timidamente espalhado pelos cantos obscuros do meu quarto.
Mas não tenho mais medo deles.Definitivamente, a saga acabou.Graças à Deus!
P.S.: Um beijo para a Bianca Regina, porque ela tá me convencendo de que ela é uma amiga muito foda!Um beijo pro Michel, porque nosso domingo tá chegando!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Da máquina do tempo (ou da mudança de assunto)

Descobri ontem que estou ficando velha.
Essa descoberta tão frustrante para uma jovem de 23 anos foi feita após "viajar" para um lugar distante, mais exatamente Vargem Grande, mais exatamente porque o namorado trabalha lá (uma das 4 escolas onde ele dá aulas...).Ah, também descobri que Vargem Grande é realmente muito longe e que o 747 é realmente muito medonho, mas essas descobertas são de conhecimento público; o lance é que quando a gente descobre que estamos envelhecendo a gente pára pra pensar muito mais na nossa vida, o que foi dela e o que vai ser de agora em diante.
As primeiras crianças saiam da sala de aula e, aos poucos, a pequena quadra na frente da escola foi enchendo de miniaturinhas engraçadinhas de tranças na cabeça e rabinhos de cavalo.Meninos em meninas de uns seis ou sete anos corriam de um lado para o outro, por trás das traves de futebol, por entre as colunas de ferro, subindo nas elevações das paredes.Alguns correndo, brincando de pique, outras penteando os cabelos da coleguinha, muita gritaria.
No meio desse cenário tão "comercial de margarina" meus olhos encontraram uma figurinha interessante: ela tinha os cabelos bem compridos, castanhos claro, usava sainha amarela e camiseta com o nome da escola, tinha uma enorme trança no alto da cabeça e uma parte dos cabelos soltos.Era bochechuda, mas não gordinha, parecia ter seis anos e olhos castanhos como o cabelo.Ela tentara sem sucesso se enturmar com as três meninas que brincavam de "imite o mestre" quando resolveu fazer o que aparentemente mais gostava: uniu-se a um menino gorducho, um de cabelos lisos e olhos puxados e a um outro com cara de levado para brincar de Naruto.
Foi como voltar aos tempos de INSA.
Foi como ver aquela quantidade de cabelos negros correndo pelo pátio na frustrante tentativa frustrada de brincar com as meninas ridiculamente pequenas da escola.Para a dona da cabeleira, tudo poderia ser tão grande e as pessoas eram tão pequenas...ela sempre acabava indo para onde os meninos jogavam bola e apostavam corridas, sendo a única menina a correr com eles e a única a chutar a bola com devida perfeição.Sentia-se mais a vontade assim do que levando sua boneca para brincar na escola...
...mais ainda do que ficar sentada num canto com seu sanduíche solitária nos seus grandes pensamentos de menina, tal qual a criancinha sentada com as costas na trave de futebol.Ela era tão grade como eu, tão bochechuda como eu e tinha os cabelos tão negros quantos os meus.Eu sabia como aquilo era estranho, como tentar, desde pequena, a ser aceita, mesmo sendo um pouco diferente.Destoávamos das demais por sermos grandes e desenvolvidas, poderia chutar que ela já podia usar sutiãns, assim como eu comecei tão cedo a usá-los.Mas eu sabia que ela ia crescer e se tornar uma bela mulher, como eu não saberia que seria assim comigo.Era como se ela fosse eu e eu fosse ela, quando me senti cada vez mais confusa, pois na verdade era eu ali, sentada com as costas na trave e era ela sentada me assistindo...
E voltei a si quando ganhei um beijo e acordei daquele tamanho devaneio.Era eu a ve-la, era ela a levantar-se da trave e juntar-se à professora para mais duas horas de aula de português.Como queria chegar perto dela, como eu queria dizer-lhe que tudo aquilo era temporário, que em breve ela sentiria-se tão normal como seus amigos...Fui pega pela mão, Michel queria ir embora.E eu atravessei a porta da escola sem tirar a menina da cabeça, as duas eu que eu havia reencontrado, a eu amiga dos meninos, a eu sentada na trave.
E foi assim que senti-me velha, pois eu já descobri que tudo que passei era apenas uma fase frustrante de criança, quando você é diferente e rejeitada pelos demais.Aos nove anos eu não imaginava que seria igual aos outros um dia e hoje me sinto tão igual e tão comum que acabo tentando ser diferente pra ter algum destaque semelhante ao de antes para mim.A introspecção deu lugar a uma breve popularidade, e percebi que u tempo passou.
Não reclamo do tempo que passa, apenas agradeço, até as primeiras rugas aparecerem.