segunda-feira, 16 de junho de 2008

Do amor

Ando meio sensível. Irritantemente sensível.
É como se as luzes escurecessem e o quarto virasse um breu tão profundo quanto a morte. Sinto, às vezes, ela tão perto de mim que sinto, do nada, sem motivo algum, vontade de chorar baixinho.
Às vezes, quando estou em casa, consigo ouvir os murmúros do passado. Talvez até do presente. Na verdade, consigo ouvir pensamentos. Vida boa seria se eu estivesse aceitando o lugar onde meu corpo se encontra, mas essa não é a verdade.
Tudo que quero é sentir meu corpo se esvaindo de mim.
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Carta 1
Por favor, tudo que lhe peço é um pouco de olhar. Um olhar diferente sobre mim e sobre o que seremos no futuro. Que todo esse amor um pelo outro seja assim, desse jeito, até o fim deste. E quando o fim chegar, quero a distancia de um sofrimento desnecessário de sentir.
Por favor, tudo que lhe peço é que não seja como ele.
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Carta 2
Espero que lembres um dia de toda a questão que fiz por ti. Espero que lembres um dia que eu fiz a minha parte, mais do que deveria e do que merecias. Espero que saibas um dia o quanto sentí tua falta, pois hoje aprendí a não sentir mais nada. Já sei a pouca questão que fazes, camuflada num medo que talvez não exista. Espero que saibas o quão tento não falar demais.
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Carta 3
As pessoas são o que elas viveram um dia. Tudo que tenho a fazer é agradecer a você por me ensinar a ser a pessoa que sou. Isso não é uma declaração de amor, mas de libertação.
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Ao gato
Gatinho que chega nos meus pés e se esfrega todo, porque escolheste a mim para se esfregar?
Obrigada por me arrancar um sorriso...
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As coisas vêm vindo e eu não sei mais pará-las. Tudo que eu quero é que elas não venham mais.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Da segunda-feira

O relógio marca 23:59. Tristeza.
É tão clássico dizer que a segunda-feira é ruim, que ninguém merece a segunda-feira, mas pra mim é muito mais do que isso. Acho que a síndrome de Garfield me atacou outra vez. Ou seriam os resquicios da depressão que deixei pra trás sem tratamento algum?
A semana é cada vez mais pesada e estressante: tudo me persegue a semana toda. Todas as provas, todos os problemas, todas as pessoas. Pouco durmo, pouco como, pouco sorrio. É difícil me ver feliz numa quarta-feira ensolarada, e não há borboleta amarela naquela ilha de Lost-Fundão que me faça persegui-la. Para mim, todas elas são marimbondos.
Nem tanto a magia da genética das quintas-feiras, ou das análises do discurso de terças me fazem feliz. O onibus em alta velocidade, rumo à minha casa, não me deixa aliviada. Meus olhos não se fecham mais com gosto e prazer numa acabada noite de segunda-feira. Não. Tudo que sei fazer e pensar é no quanto de coisa que eu tenho que resolver, no quanto de coisa que eu tenho que conversar com colegas e professores, no quanto de exame que eu tenho que fazer para a cirurgia que nunca vem.
(Quanto a ela, sinto-me como uma criança a espera do seu Papai Noel na noite de Natal. Não adianta, ele nunca virá)
A segunda-feira pesada, a terça-feira indesejada, a quarta-feira cansativa, a loooooooooooooooooonga quinta-feira e a rendiçao de sexta-feira. As semanas se arrastam cada vez mais, como se eu tivesse perdida num Saara sem fim, sem agua, sem nada. O sol forte em minha cabeça, o cheiro de merda nas narinas. O barro molhado na sandalia nova, a picada de marimbondo no meio da prova de Latim. O sono caído entre as folhas de português, este mesmo que me amaldiçoou com 6 semestres de castigo e atraso. A abelha entre os salgados à venda. A lacraia que quase queima meus dedos dos pés. Os inúmeros Aedes que circundam as poças de barro, à procura de carne humana e suculenta. Os filmes malditos do cinema novo às sete da manhã de uma quinta-feira de frio. Três horas de neurulação ininterruptas, nada divertido. Mil declinações latinas, mil símbolos do alfabeto fonético, mil letras do alfabeto grego, mil definiçoes literárias, mil histórias do Brasil, mil células e neuronios e ovócitos e epsermatozóides...
A loucura pede um arrego final na libertação do final de semana. E enquanto sou acalentada pelos beijos de namorado, e enquanto sinto a música entrar em meus ouvidos, enquanto acho graça de meus amigos, enquanto eu tent sentir a mim mesma, a minha cama, o meu corpo, as minhas coisas, elas vêem. Todas as mil declinações e fonéticas e gregas e latinas e cinemas novos e imagens no discurso e questõs literárias e...
Não existe um momento de descanso. O fim de semana acaba tão rápido que não senti meu tempo de sentir. Não sei mais o que é se entregar a alguém na solidão de um quarto, não sei mais o que é o corpo relaxado numa cama macia, não sei mais o que é rir sem olhar para o relógio e fazer as contas: faltam quantos minutos para a segunda-feira? E resolver as tantas mil coisas?
Por que esse circulo vicioso de stress e rotina podem matar uma vida?
Canso, demais, de viver.

domingo, 1 de junho de 2008

Das pessoas em geral - amigas

Amizade, do latim amicitia, do grego filia...

Elas são legais e engraçadas. Se você for observar com cautela o comportamento de seus amigos mais curiosos, você pode notar uma ponta de graça naquele comportamento tão dedicado a você.
Pois eu não posso reclamar de amigos. Tenho muitos. Os que ouvem, os que apertam, os que divertem, os que compartilham histórias. Alguns de longa data, outros de relógio tão recente. Todos, cada um deles, tem sua particularidade, sua história. Você, eu, nós todos somos uma espécie única de amigo. Acontece é que varia de acordo com a nossa tolerância, personalidade, signo solar, lunar, ascendente e chines...
Acredito que eu sou a amiga que ouve. Nossa, curto as mil histórias dos meus amigos, até das pessoas na rua dividindo suas angustias com outros amigos. Não deixo de contar minhas peripécias. Ando evitando expor minhas inúmeras questões, por saber que elas são complexas até para mim. Entao ouço mais, para entender a mente humana, para curtir cada conto, cada história.
Como viajar num bom livro de literatura...
Vim falar hoje de alguns dos meus amigos. Todos são tão curiosos e singulares, quase um caso para Freud. Ao deparar-me com a boa notícia do texto anterior, tratei de enviar um scrap para uma amiga de longos 8 anos de convivencia. Ela passou comigo, vivenciou cada dia de tristeza e tormenta e achei que ela gostaria de saber da boa notícia que me fez escrever um texto (que, segundo a Dani, dá pra entender e nao enteder, mas é compreensivel). Pois foi que ela investigou toda a fonte da notícia. Fuxicou cada detalhe minucioso da história. Mergulhou de cara em cada detalhe, em cada rosto, em cada notícia, como uma boa jornalista que é. No final de tudo, disse que eu estava por cima, e tudo que eu precisava fazer era acreditar que cada um tem o que merece, e eu merecia as coisas boas que eu havia conquistado.
Ri.
A notícia, para mim, foi boa, mas talvez seja, para os personagens envolvidos, a melhor coisa que aconteceu na vida deles. Talvez eles sejam feitos para viver aquela história, mas, para a boa amiga de verdade, aquilo não é nada perto do que a melhor amiga dela tem na sua vida atualmente.
Minhas amigas de longos 8 anos são engraçadas. Elas me apoiam quase como uma questão de honra. Como reinasse sobre nós uma lei mosqueteira. Como se cada uma de nós não tivessemos o direito de sofrer, e que os homens são uns "bobões", como diria uma delas. Ao terminar um longo relacionamento amoroso e ter sumido por uns seis meses para me recuperar daquela avalanche de emoções, ouvi de uma delas que "ele, na verdade era um bobão, por perder a mulher da vida dele". Reparei que dissemos o mesmos para nós todas. Eu digo, elas dizem. É engraçado ouvir uma falando isso para outra e duas semanas depois a menina e o cara estão juntos novamente. E as amigas sempre apoiando. Mesmo que tenham xingado o pobre de todos os nomes.
Amigas são engraçadas. As de longa data, são muito interessantes.
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P.S.:Para todas as superpoderosas da minha vida, quase D´Artagnan e as três mosqueteiras.