sábado, 26 de abril de 2008

Do silêncio

O escuro anda me dando muito prazer ultimamente.
O simples toque no interruptor ou o fechar de olhos por alguns segundos são coisas que estão me trazendo paz nos últimos dias.
Ando escrevendo mais e falando menos, cada vez menos, até emudecer de vez.Quando esse dia chegar, serei feliz.
Cada vez mais sinto prazer em curtir o silencio da minha voz.Contralto, da época dos corais do Colégio Pedro II.Nem cantarolo mais as músicas que tocam no meu som do quarto.É um processo gradual.
Nao tenho mais tanta vontade de contar minhas novidades, meus passeios, minhas falas, minhas experiencias.Nao há mais que as ouça.Olho a volta e me sinto dentro da questão da eutanásia das minhas relações íntimas; muitas delas morrerão, e nós desligaremos seus aparelhos.Ando aceitando melhor as perdas, porque muitas já me aconteceram.Costume, força do hábito.
(Alguns ficam depois de tantas mil marés, serão esses que a gente carrega por toda minha vida-morte?)
O silêncio da minha voz me dá muito mais prazer.Acostumar-se com ele.Não será tão difícil, já que não sinto-me a vontade de falar.Seja para perguntar, ou para responder...
Escrever, ou seria esse meu destino?Sair das mitocondrias para as palavras, sílabas, morfes, fones...
A eterna quietude, que só encontrarei na minha plena morte.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Da vida após a morte - Regurgitando

Ando regurgitando muitas coisas.

O fato é que, sobre a última questão da prova da minha vida-morte, ainda não consigo resolve-la. O fato é que meu blog anda, de novo, pouco visitado, sinto-me falando para os teclados, apenas. O fato é que não sei resolver a última questão, como as provas do Carlos Alexandre ano passado ou como a pior das questões de física no vestibular (qualquer um que tenha feito). Difícil...

E vejo-me, mais ainda, sozinha. Não porque eu quero que alguém aqui comigo esteja, mas acho que, sozinha, sei raciocinar melhor, ou pior. Não sei...

Vida barroca essa que levo de fingir que tudo é perfeito, mas na verdade não está sendo.Falta alguém, faltam momentos...

...ou pessoa. Será que seria esta uma sub-vida, conviver com a dúvida, com a angústia de querer e não querer ter por perto, de ou de guardar para si, para sempre?

...outra questão. O que seria melhor? Talvez uma morte, ou não...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Da vida após a morte

Um dia me disseram que escrevo muito bem.Costuma sair bom quando a gente escreve coisas vindas diretamente do coração.Quase como a Clarice ou o Carlos...nunca como eles, lógico...

***

Minha vida anda cada vez mais como a vida de gente grande.Trabalho feito gente grande, estudo feito gente grande, namoro como gente grande e meus amigos me tratam como gente tão grande quanto mamãe.Vida corrida...e eu não penso mais nela.

Foi há uns tres ou quatro anos atras, nao me lembro bem, que me vi tão intima da morte por duas vezes.A primeira, depois de uma dupla discussão com minha mãe e com o Davi (acho que não há o que esconder por aqui), tentei dar fim a tudo que me incomodava: minha vida.A segunda, numa crise fundo-do-poço do auge da minha depressão, decidi enfiar todos os Floral 50mg na boca de uma vez só.Segundos antes de faze-lo, pensei pela primeira vez na minha vida e no quanto ela poderia melhorar.Dali nunca mais pensei na morte.

Ao invés de encará-la como normal, passei a ter medo dela.

E o medo faz com que a gente deixe um pouco de pensar no pior para focar em coisas legais e bacanas...só pra se distrair.E a gente se esquece de como a vida é magica; a gente acaba apenas vivendo.

E eu vivi como gente grande.Trabalho, faculdade, namorado, amigos, familia...até ouvir o estampido.

Silêncio.

Correria.

Algo caiu no chão, senti o asfalto cobrindo minha pele por baixo.Pessoas, gritaria.Carros, buzinas, sirenes, luzes, escuridão...

E uma estrelinha piscando no meu céu tão farto de brilho...Uma nova vida, um novo olhar...Como faço para que as pessoas que eu amo saibam que eu as amei?Como posso fazer com que meu trabalho seja mais gostoso?Como eu faço para que todas as paredes da faculdades tenham meu sangue, minhas lágrimas, meus sofrimentos, meus calos cravados como forma de demonstrar o valor tamanho daquelas paredes tão frias?Como carregar cada "filho" no colo, cada amor no coração?Deixa-los me dar valor, como?Como fazer com que o grande amor da minha vida, aquele que estendeu a mao pra mim pra me ajudar a terminar de levantar, seja erguido pela força do valor que ele tem?

Como fazer com que a pessoa que eu amo incondicionalmente volte para mim?

...

Não sei se sobrevivi.Só sei que eu já havia morrido.